A diferença sexual: a criança, o analista e a Psicanálise.

Rita de Cássia Bonança - 03/2019

"Elucidar o estado originário é sempre uma construção. [...] não é fácil penetrar nos modos primitivos do pensar. Entendemos mal o pensar primitivo com tanta facilidade quanto o fazemos com as crianças e continuamente nos inclinamos a interpretar seu fazer e seu sentir de acordo com nossas próprias constelações psíquicas." (Freud, p.106)

A convocação para a escrita desse artigo e a sua apresentação na primeira Seção Clínica de 2018 na Tykhe Associação de Psicanálise, surgiu da urgência em assinalar uma posição de analista e, ao mesmo tempo, lançar nesse espaço de estudo uma oportunidade de reflexão sobre as questões relacionadas a sexo e sexualidade presentes na Clínica com Crianças. Questões essas que se apresentam sempre que se faz necessário falar sobre a diferença sexual enquanto diferença anatômica e suas consequências. Falar com segurança e naturalidade dos temas sexo e sexualidade na Clínica com Crianças não é algo possível sem um estudo continuado e uma experiência de trabalho com crianças. Em sua maioria são, quase sempre, pontos muito específicos dentro de um processo de estruturação subjetiva e por essa mesma razão, não podem ser trabalhados ou abordados da mesma forma que nos casos da clínica com jovens e adultos. O assunto que trago é complexo precisamente porque não se trata apenas de um dizer que seja qualquer sobre a diferença sexual, mas uma tentativa de esclarecer como essa diferença atua na organização na constituição subjetiva e como opera e aparelha a criança para sua entrada na linguagem produzindo dessa forma, efeitos e possibilidades de acesso ao saber. Minha pretensão com essa escrita é lançar esse assunto sobre a mesa para que cada um dos envolvidos na Clínica com Crianças possa recolher ou propor o que for possível a partir das considerações que irei fazer. Escolhi tomar como eixo principal para articular minhas colocações o texto de Freud - “Sobre as Teorias Sexuais das Crianças” (1908) O que e como escrever? Fui tomada pela necessidade de iniciar com uma breve consideração sobre a importância da Psicanálise com Crianças para uma Associação de Psicanálise, uma vez que a proposta da Clínica Psicanalítica é de escutar o sujeito. Quando escutamos o “caso de uma criança” é necessário, enquanto analistas, ouvir o relato dos pais considerando o que está em jogo nesse momento para essa criança. Isso implica saber quais operações psíquicas, quais os elementos e quais os dispositivos operadores que estão em funcionamento na constituição subjetiva dessa criança nesse período que envolve a queixa. É bem verdade que hoje ainda podemos encontrar discussões sobre a Psicanálise com Crianças. Muitos questionam se de fato é psicanálise, se não se trata de um ramo à parte, um avatar/mutação da clínica psicanalítica ortodoxa. Na história da Psicanálise de/com Crianças, a experiência mostra que os impasses não foram totalmente superados e ainda suscitam muitas questões na clínica, por localizarem o fantasma da filiação que, por sua vez, é posto em ato na cena analítica. Essa convocação feita pela criança quase sempre produz um movimento de velar e (re)velar o sintoma do analista. Dolto (1985) afirma que para um psicanalista de crianças se faz imperativo uma grande familiaridade com o inconsciente, por essa razão, é necessário que sua análise pessoal seja profícua e profunda. Ela continua dizendo que aqueles que pretendem tornarem-se psicanalistas de crianças por acreditar que é mais fácil do que atender adultos, serão surpreendidos pela complexidade do manejo, a falta de material e suporte teórico. Quando atendemos crianças estamos nos inserindo e adentrando o processo de estruturação de um sujeito. Operando com a singularidade, entornos e contornos da ordem do desafiador, da travessia e do atravessamento. A herança teórica de Freud abre caminho para a prática psicanalítica com crianças e hoje podemos dizer que, apesar das dúvidas, dificuldades e inseguranças, ela está instituída e é aceita por uma maioria. Freud mergulhou fundo na pesquisa sobre a vida sexual infantil e por essa insistência foi marcado e perseguido. Sua produção teórica sobre a questão da sexualidade e do sexual na infância/criança é que garante não só as bases teóricas para a Clínica com Crianças, mas a própria Psicanálise. Como seria possível falar de Inconsciente sem toda construção Teórica do Complexo de Édipo ou das Teorias sexuais Infantis? Cito alguns trabalhos importantes e mais conhecidos: 1905 – Os três ensaios sobre a sexualidade; 1907 O esclarecimento sexual das crianças; 1908 Sobre as teorias sexuais das crianças; 1909 A análise de uma fobia em um menino de cinco anos; 1923 A organização genital infantil; 1924 A dissolução do Complexo de Édipo; 1925 Algumas consequências psíquicas da distinção anatômica entre os sexos; e tantos outros não tão citados. A Psicanálise de Crianças é a Psicanálise. É no trabalho realizado na Clínica com Crianças que podemos compreender os passos da estruturação subjetiva bem como a origem das psicopatologias e seus desdobramentos. A criança nos impõe amplas dificuldades na distinção entre Real, Simbólico e Imaginário que, para sair da deriva imposta por uma continuidade indiscernível quanto a esses registros, nós analistas, corremos o risco de abandonar a proposta psicanalítica e recorrer seja à classificação ou compreensão. Não se trata, portanto de pensarmos a Clínica Psicanalítica com Crianças por um viés dessa, ou daquela proposta teórica, mas se trata sim, enquanto psicanalistas, de nos conservarmos sempre muito alinhados a toda construção teórica psicanalítica que se propõe a nos conduzir pelos embaraços da constituição subjetiva do sujeito. Posta essa questão da irrefutável contribuição das Teorias Sexuais Infantis para a construção da Teoria Psicanalítica, vamos para a pergunta que interessa trabalhar e que está diretamente relacionada ao título que originou a escrita desse trabalho: DE ONDE VÊM OS BEBÊS? Segundo Freud a origem dos bebês é a questão-enigma que faz ecoar nos adultos um grande número de mitos e lendas ao qual a criança responde de maneira genial com suas teorias. No seu texto Sobre as Teorias Sexuais Das Crianças (1908) Freud nos diz que as crianças não aceitam as teorias da cegonha, do lago, da maleta do médico (Caso Hans), ou qualquer outra estória que os adultos possam inventar como possibilidade de resposta essa questão. A partir de suas investigações sobre o seu próprio corpo elas estabelecem um trabalho de pesquisa para compor um saber próprio que diga a verdade sobre o nascimento dos bebês. O mais extraordinário, diz Freud, foi constatar que elas já sabem, em qualquer tempo, que a origem dos bebês está ligada ao sexo e a diferença sexual. A questão – enigma e sua dimensão de urgência e de necessidade vital surgem no final do segundo ano da infância e é determinada, na maioria das vezes, pela chegada de outra criança ao círculo familiar ou, pelo medo que isso venha acontecer. Para Freud, seja esse acontecimento real ou imaginado, ele adquire um valor traumático pela sua complexidade e pela impossibilidade de ser respondido pela criança. Impossibilidade essa determinada por falta de recursos de linguagem para construir um pensamento e um dizer sobre isso. Essa condição suscita, quase sempre, um impulso ao saber, ou seja, a criança se apresenta a partir de então, como uma incansável pesquisadora que deseja tudo entender e dessa forma investe em questionar tudo o tempo todo. A pergunta sobre o nascimento dos bebês desponta na criança outra questão ainda mais complexa – o que está de fato em jogo senão responder sobre a sua própria existência? Nesse momento ela está começando a falar na primeira pessoa e é diretamente confrontada com um abismo: o enigma do seu próprio nascimento. O abismo do desejo do Outro parental, uma questão que nesse momento a criança ainda não tem recursos para responder: De que desejo eu nasci? Enquanto analista, é imprescindível reconhecer que a criança diante do imperativo e da urgência em achar respostas a essas questões sobre a origem, não encontra outra saída, a não ser construir Teorias Heterossexuais. Nesse momento, elas são organizadoras no seu processo de estruturação e constituição da sua subjetividade. De onde vêm os bebês? Nesse tempo a criança está às voltas com as questões da existência e do seu nascimento. As questões referentes à sua sexualidade e às suas relações afetivas vão ser encaminhadas em outro tempo, não sem os efeitos de registros dessas primeiras investigações. Podemos chamar, com Freud, de Teorias Sexuais Infantis e não de elucubrações, ou de opiniões, porque essas hipóteses teóricas, que fazem suplência ao saber que o Outro não tem, não provêm da arbitrariedade de uma decisão psíquica, nem do acaso das impressões, mas a criança só as concebe ao consentir em submeter-se unicamente às necessidades da pulsão sexual. Freud nos garante que a margem de liberdade que a criança tem, em relação à autoridade, é que permitirá que o desejo de saber se desenvolva mais ou menos. Ele também afirma, e eu quero destacar essa questão, que as informações dadas à criança pelos adultos (família, escola, religião,...) não têm nenhum lugar na construção das Teorias Sexuais Infantis. O que orienta as investigações sexuais, segundo ele, efetuadas no maior segredo é o saber sempre revelado e orientado pela pulsão. Seguindo sua intuição e guiada pela pulsão a criança elabora suas teorias, erroneamente é claro, mas com fragmentos de pura verdade. São três as teorias mais comuns: 1ª.) Atribuir a todos, inclusive à mulher, a posse de um pênis. Essa teoria deriva do tempo de total desconhecimento da Diferença Sexual. 2ª.) O bebê precisa ser expelido como excremento ( Teoria cloacal) ou ainda sair pelo umbigo, cortar a barriga. 3ª.) A concepção sádica do coito que apresenta várias versões. A mais próxima da verdade é - o papai faz xixi no fazedor de xixi da mamãe. A investigação sexual infantil, segundo Freud, é a manifestação essencial do desejo sexual infantil, é uma atividade sexual de busca, de pesquisa. Segundo ele muitos atos de exibição e agressão cometidos pela criança nessa fase de inquietação sexual poderiam ser considerados pura sensualidade ou lubricidade em uma idade mais avançada. Freud também nos atenta para as construções de Teorias Infantis sobre o casamento. A princípio elas são expressas pelos jogos e mais tarde, segundo ele, o desejo pode ser expresso de uma forma infantil e aparecer numa fobia que a primeira vista parece inexplicável, ou em algum sintoma correlato. O tema e os desdobramentos são muitos e não se trata como já disse de esgotá-lo, mas é necessário registrar a complexidade desse tempo de constituição do sujeito sob os efeitos da diferença anatômica e da estrutura familiar. Durante todo esse tempo em que a criança está sob a imperativa investigação sobre o nascimento dos bebês, sua existência e o casamento, concomitantemente ela se localiza num intenso e complexo trabalho de operações psíquicas das quais ela não tem como, nem por onde se esquivar.

  1. Operação especular
  2. Operação de alienação
  3. Operação de separação
  4. Édipo – 3 tempos Todas essas operações demandam um intenso e continuado trabalho psíquico, complexo e sempre atravessado pela organização do grupo familiar do qual ela faz parte. A criança se depara com a castração e para escapar da angustia de castração é necessário estruturar uma saída pela fantasia. Ela faz-se objeto para satisfazer o desejo materno no campo da representação e ao mesmo tempo se separa do corpo materno e parte para identificações próprias, ligadas à figura materna e ao Ideal do Eu. Ela fica à espera (latência) que seu desenvolvimento venha prover meios para o exercício da SEXUALIDADE GENITAL. Com a chegada da adolescência que põe fim à latência pela precipitação, no Real, de um corpo que se mostra outro pelo encontro com o Outro sexo ela é convocada a atender a chamada social, simbólica, para se posicionar em outro lugar: o da possibilidade do ato e da responsabilidade pelas escolhas. Os elementos essenciais e operadores desse trabalho são: o falo – chave das significações do campo simbólico; e a castração – a falta – que deve incidir primeiramente no outro. Essas operações produzem uma trajetória – de objeto para o Outro a sujeito de sua história, de externa a estrutura simbólica torna-se eixo do inconsciente – onde ela enquanto sujeito posicionará sua enunciação. O que não podemos quando estamos atendendo uma criança, é ignorar que ela parte no final do seu segundo ano de vida para uma investigação sobre sua existência. Nesse processo ela vai se deparar com a diferença sexual (anatômica) e suas consequências psíquicas, sente-se convocada a construir suas Teorias, e ao longo das operações, cujos operadores são o FALO e a CASTRAÇÃO ela terá que encontrar um caminho e dar um destino, pela via da sexualidade, para as suas pulsões. Ou seja, todas as operações psíquicas acontecem sob o efeito e a força pulsional que impele a criança sempre na direção de construir um dizer sobre a sua origem e sobre o seu lugar psíquico nas relações familiares. Quero fazer aqui um comentário sobre um texto muito importante de Lacan e o risco que corremos enquanto analistas se, na nossa escuta, não considerarmos os conceitos de Freud sobre as crianças e as pulsões sexuais. Lacan em Os complexos familiares nos apresenta Três Complexos: 1) Desmame; 2)Intrusão e 3) Édipo. Quero destacar o Complexo de Intrusão. É bem intricada e importante a forma como ele trabalha a questão da Intrusão nesse artigo mas, ele conduz o tema por uma via que não discute a pergunta sobre a origem. Ele articula o nascimento dos bebês na família com o ciúme e a gênese da sociabilidade. Cito: “A observação experimental da criança e as investigações psicanalíticas, demonstrando a estrutura do ciúme infantil, esclarecem seu papel na gênese da sociabilidade e, por aí, do próprio conhecimento enquanto humano. Digamos que o ponto crítico revelado por essas pesquisas é que o ciúme, em sua essência, representa não uma rivalidade vital mas uma identificação mental.” (p.31) Ele toma como ponto de partida para a sua articulação a seguinte frase de Santo Agostinho: “Vi, e observei uma criança, cheia de inveja, que ainda não falava e já olhava, pálida, de rosto colérico, para o irmãozinho colaço.” (p.31) Toda essa articulação feita por Lacan é extremamente pertinente e importante e as relações de inveja e cólera estão realmente presentes na Clínica com Crianças. A rivalidade entre irmãos perdura e são frequentes também na Clínica de Adultos. Com certeza, podemos pensar que Lacan considera a questão da existência ao construir sua argumentação, no entanto, não fica explícito em seu texto o tema da pergunta sobre a origem. O risco que corremos na Clínica com Crianças, se ficamos com essa proposta do ciúme articulada por Lacan em seu texto, sem fazer uma articulação com os conceitos de Freud, é de atribuir a toda agressividade ou demais reações que uma criança manifesta ao ver/ou imaginar o nascimento de outro bebê na família, ao CIÚME. Podemos, por exemplo, interpretar o fato de uma criança insistir em ir para a cama dos pais ou ainda, sua urgência e exigência dos cuidados da mãe, a sua agressividade e a excitação que atrapalha o sono e a deixa irritada, tudo como ciúme. No entanto, insisto, é necessário considerar que essa criança está em sofrimento e sob os efeitos da pulsão sexual que, diante do nascimento de um bebê a excita e conduz na direção de responder a questão-enigma, questão essa que certamente está ligada àquela cama dos pais e aquele colo da mãe. Podemos acompanhar essa questão no caso Hans de Freud ou no Caso Piggle de Winnicott onde o psicanalista descreve uma cena de uma criança que só se acalma depois de repetidas vezes encenar o seu nascimento escorregando pelo colo pai sentado em uma cadeira no consultório. O pai e a criança ficaram exaustos, comenta Winnicott. É bastante comum ouvirmos os pais angustiados dizerem o seguinte: “Não sei o que acontece, aparentemente ele (a) gosta muito do irmãozinho, mas não consigo acalmá-lo, está agitado, agressivo, me bate”. Ou ainda no consultório podemos ouvir um adulto dizer: “Minha mãe sempre me disse que dei muito trabalho quando meu irmão nasceu. Eu gosto dele sempre gostei, não sei o que aconteceu”. Quando falamos de uma Clínica Psicanalítica com Crianças é necessário que todas as questões, sobre as pulsões, as operações e os operadores, estejam bem definidos para o analista. A criança está sim com ciúme, mas não é “só” isso que está operando nesse momento. É preciso ajuda-la no seu sofrimento, segundo Freud, as pulsões não dão descanso. Concluindo a proposta da minha escrita quero marcar o que considero de extrema importância para os analistas que se aventuram na Clínica com Crianças: o que de fato está em jogo no Édipo tanto para o menino como para a menina é uma escolha heterossexual e ambas as escolhas apontam para a procriação. Para os meninos o abandono ao incesto, a instituição da consciência e da moralidade que segundo Freud pode ser considerada como a vitória da raça sobre o indivíduo; a menina diante da castração deseja um filho. A questão da origem dos bebês e da própria origem de cada um de nós, não está fora de todo o processo de constituição do sujeito, a anatomia e sua diferença insiste pela pulsão e produz seus efeitos durante todo o processo. Por essa razão é que, ao analista cabe não tratar as questões da sexualidade e de gênero considerando somente pontos que se referem a sociabilidade. .A constituição do sujeito não é sem trabalho, sem conflitos, sem desvios ou sem sofrimento e dessa forma temos que, enquanto analistas, oferecer uma escuta que possa comtemplar toda essa trama extremamente complexa. Vários são os caminhos que podemos dar às pulsões e às Teorias Sexuais Infantis. A ciência, por exemplo, tomou nota do fracasso das Teorias Sexuais Infantis, ou seja, do fracasso de um saber que pudesse conjugar a subjetividade e o sexual. A separação dos campos da verdade e do saber permite a ciência em particular de ocupar-se do sexual – contracepção, procriação assistida, na medida em que ela o reduz a seu puro real biológico e dele exclui qualquer implicação de um sujeito. A psicanálise, ao contrário, ela deve falar e extrair consequências é do impossível da relação sexual que quem (re) vela por primeiro é a criança no trabalho impossível de construção das suas Teorias Sexuais.

Rita de Cássia Bonança - 03/2019

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS DOLTO, F. Seminário de psicanálise de crianças. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1985. FREUD, S. (1908) Sobre as Teorias Sexuais das Crianças. In: Obras psicológicas completas de Sigmund Freud. Ed. Standard Brasileira. R.de Janeiro: Imago, 1996.Vol.IX. FREUD, S. (1909) Caso Hans In: Obras psicológicas completas de Sigmund Freud. Ed. Standard Brasileira. R.de Janeiro: Imago, 1996.Vol.X. FREUD, S. (1912-13), Tótem y tabú, O.C., Amorrortu, Buenos Aires, 1993. LACAN, J. (1984) Os Complexos Familiares na Formação do Indivíduo. In: Complexos Familiares. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. 2002. Winnicott, C. (1977). The Piggle: relato do tratamento psicanalítico de uma menina. Rio de Janeiro: Imago, 1987.