Týkhe­ Associação de Psicanálise 

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TÝKHE 2016 - REABERTURA

02/01/2016

 

 

Em 2016 a Týkhe Associação de Psicanálise relança seus dados ao abrir suas atividades à pesquisa das modalidades de laços que atam o sujeito ao outro. Laços de governança. De ensino. De sedução e de abdução. Laços de desejo ou de sacrifício.

 

Freud nos afirma que as relações entre as pessoas eram a maior fonte de sofrimento humano, leia-se, o fundamento do mal estar na civilização. Lacan, ao tentar responder a isso, vai formalizar esse campo com, a que se costuma chamar, sua ”teoria dos discursos”.

 

Sigmund Freud, em Psicologia das massas e análise do Eu, sustenta que o sujeito no seu âmbito mais privado é o mesmo sujeito nos seus laços sociais; e agora com Lacan, consideramos que o sujeito representa um significante para outro significante. Ao levarmos em conta essas duas afirmações, podemos então deduzir que tanto os laços mais íntimos quanto os laços sociais podem ser lidos como estruturas discursivas.

 

Acontece que no âmbito desses últimos, dos laços sociais, o que evidenciamos é uma discursividade que dispensa palavras. É um discurso que não necessita da fala para estar em operação. Nem por isso, por não ser da ordem do dito, não significa que ele não esteja no campo da linguagem. O discurso é, sim, da ordem de um dizer, ainda que sem palavras. Os discursos fundam fatos que são os laços entre pessoas. É o passo que Lacan dá para cernir esse campo novo que modaliza as relações entre os falantes, que é o campo do gozo. E como o gozo se manifesta? Pela repetição, dizer que fala por si.

 

No que diz respeito à teoria dos discursos, trataremos de compreender e verificar o elemento particular e dominante em cada qual dos laços sociais nomeados por Lacan: o discurso do mestre, do universitário, o da histérica e do analista. Há outros ainda? Ademais, concerne a esse campo detectar aquilo que é determinante no agir do sujeito, a verdade que o sustenta; assim como interpretar cada modalidade de ato que determina a forma de tratamento que se dá ao outro.

 

Conrado Ramos, da Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano, será nosso convidado neste ano de 2016 para conduzir um Grupo de Trabalho com o tema “A Teoria dos Discursos de Jacques Lacan: dimensões clínicas e políticas”. Esse trabalho contará com o apoio de Oficinas de Trabalho realizadas previamente em torno de textos preparatórios.

 

A escolha desse campo de trabalho de pesquisa para o ano não foi gratuita. É uma aposta, é certo; cujos achados contarão com a implicação de cada um nos laços transferenciais de trabalho que são ou serão constituídos. Mas é também, antes de tudo, dar consequência àquilo que se produziu em associação na Týkhe.

 

E o que se produziu foi um conjunto de textos apresentados numa jornada por nós promovida, em outubro de 2015, nomeada “Escrita de casos clínicos”, que condensou dois anos de trabalho em torno dos cinco casos clínicos de Freud, acrescido de +1, o caso Ferenczi, seu notável discípulo que também havia deitado em seu divã.

 

Esse apêndice nos parecia estratégico. Se Freud, sozinho em seu campo, tratava seus doentes ao mesmo tempo em que construía sua teoria, aquilo somente haveria de se tornar um campo operatório, aparelhado com alguma técnica, quando houvesse mais de um analista a quem transmitir aquele saber, uma comunidade de analistas, pois.

 

Um percurso de análise se realiza desde o reconhecimento da verdade do desejo do sujeito do inconsciente em seu sintoma, ao longo de sua aventura transferencial, até o ponto da produção de uma relação com o saber – que Lacan diz inédita- considerada condição para que um sujeito suporte seu desejo diante do Outro. Suporta saber o horror diante do vazio que seu desejo infringe ao campo do Outro.

 

E do lado do analista, como escrever seu ato? O que fazia Freud quando fazia análise? O que será o discurso do analista? A escrita de caso clínico nos levou por diversos caminhos a formular tais questões, que giraram por todas as mesas de debate em todos os trabalhos escritos daquela jornada. E mais, elas não se anunciavam senão acompanhados do cotejo e do cortejo dos demais discursos. O do mestre, o universitário, o da histérica, o da ciência. Da religião e do capitalismo. Não sem contar com o auxílio luxuoso da poesia. Quanto a isso, confirmávamos a afirmação de Erik Porge, segundo a qual “os quatro discursos devem ser interpretados, cada um, em sua sincronia com os outros, e a ação de um pode se superpor à de outro”.

Então, qual a consequência a ser produzida? A promoção de um corte. Exatamente na sequência que percorremos do relato de caso à escrita de caso, pois é preciso distingui-los, separá-los. Esse corte, para ser  recuperado e produzir seus efeitos, necessita o só-depois de entrarmos pela vereda dos discursos.

 

Gostaríamos de concluir essa reabertura com uma questão. O termo Týkhe, caro a Lacan, denota esse encontro traumático com o Real, qualifica aquilo que insiste em voltar ao mesmo lugar sem se vincular, aquilo que nada articula, nem se representa, nem se historiciza para o tempo do sujeito; aquilo que irrompe como limite para a significação. Pois bem, se Týkhe conota tudo isso, como reconhecer a força produtiva do desencontro da Týkhe, disso que não associa para uma associação? Que função tem o traumático naquilo que fundamenta as relações associativas, na política de uma associação? É preciso se arranjar com o que fica sem lugar e inconciliável. Sem repetir, sem esquecer.

 

 Chega-nos aos ouvidos uma daquelas frases sopradas por Alain Didier-Weil que bem nos servem de farol: “Ora, que tenta fazer Lacan em sua prática da escansão, senão, como no chiste, produzir uma sideração da atividade obstruidora da censura?”.  

 

Retomamos, portanto, nossa leitura da obra de Sigmund Freud em um Grupo de Leitura, trazendo “Sobre a Psicopatologia da Vida Cotidiana”, de 1901, e “Os chistes e sua relação com o Inconsciente”, de 1905. Estes dois textos são exemplares da força produtiva, das possibilidades inéditas que surgem do desencontro do falante com seu Eu.

 

BRINCANTAMENTO

 

Brincar, cantar, encantar e deixar-se encantar pelas palavras da língua materna. O sujeito, na sua condição de criança, assujeitado ao discurso parental, familiar, social, às representações da infância na cultura, chega sempre “causando”, se vira como pode para afirmar sua existência.

 

A psicanálise com crianças se interessa por esse sujeito e visa restituir a ele um lugar de reconhecimento, pela verdade que o sintoma da criança manifesta.

 

O Seminário de Psicanálise com Crianças “A Escuta na Clínica Psicanalítica com Crianças” cujo subtítulo é Fundamentos para uma Travessia, uma travessura, um atravessamento, convoca a todos os que se deixam atravessar pelas questões da criança e da infância.

 

Numa relação de parceria que atualiza uma posição de abertura e os laços com um outro público , a Týkhe Associação de Psicanálise apoia a realização do Curso de Psicanálise com Crianças “A Genealogia do Infantil em Sigmund Freud e Michel Foucault”, a ser ministrado pelos psicanalistas Márcio Mariguela e Marta Togni Ferreira, em Piracicaba.

 

As atividades abertas ao público requerem inscrição prévia na secretaria.

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