Týkhe­ Associação de Psicanálise 

22/01/2019

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Curso de psicanálise com crianças - 2017- Módulo II - Os dispositivos da clínica com crianças

03/01/2017

 

Ministrado por:

Marcio Mariguela

Psicanalista, graduação e especialização em filosofia, doutor em psicologia da educação pela Unicamp.

 

Marta Togni Ferreira

Psicanalista, graduação em ciências médicas pela Unicamp com especialização em psiquiatria infantil, membro fundadora da Tykhé -Associação de Psicanálise de Campinas.

 

Enunciado:

O trabalho clínico com crianças convoca a reinscrever a ética da psicanálise em sua função com um sujeito na condição de criança.

O objeto da psicanálise não é a criança, é o sujeito. Num aforismo, Jacques Lacan estabeleceu que um significante é o que representa um sujeito para outro significante. O sujeito que faz essa aparição fulgurante entre dois significantes demanda reconhecimento. O sintoma se apresenta como demanda de reconhecimento daquilo que não encontrou seu lugar na relação da criança ao Outro.

A qualificação como criança não pode se introduzir na prática psicanalítica como uma identidade que viria a tamponar o vazio do sujeito. Isso é fonte de desvios tanto na prática clínica particular quanto na abordagem das instituições voltadas ao cuidado das crianças.

A criança como identidade faz agir sobre a psicanálise todos os ideais sociais ligados a ela: ideais médicos, desenvolvimentistas, pedagógicos e a consequente marcação e segregação dos diferentes.

A prática psicanalítica com crianças abordada como um dispositivo, permite sustentar relações entre diferenças: relações entre o sujeito e o sentido de seu sintoma, entre a criança e seus pais, entre os pais e o analista. Estabelecer relações entre diferenças não se dá apenas por gestos amistosos ou de boas intenções, é necessário se valer de dispositivos que promovam ligações, que promovam a emergência de um sujeito.

O brincar da criança é o fundamento dessa clínica, o organizador do dispositivo. Não se trata de uma técnica aplicada a posteriori, partindo de uma teoria estabelecida, trata-se de que a própria constituição do sujeito está condicionada pelo brincar. Ao brincar, a criança introduz os significantes que demarcam o lugar ao qual se encontra fixada e abre espaço para que outros significantes se coloquem, abrindo um novo campo de significação.

Não se pode confundir a alienação constitutiva aos significantes de sua história familiar e de seu lugar social com a fixação identitária em significantes que a paralisam e reduzem seu universo simbólico.

O objetivo deste módulo II é apresentar os elementos constitutivos da clínica psicanalítica com crianças a partir da função do brincar, do lugar e função dos pais no tratamento, dos diferentes lugares que a criança pode ocupar na família, a incidência desses lugares nos sintomas e no tratamento, a função do pagamento e, não menos importante, as incidências da prática com crianças na formação dos analistas e na transmissão da psicanálise.

Estão convidados todos aqueles que se dispõe a escutar e a ser atravessados pelas questões que a criança, em sua presença, apresenta.

 

Temas:

 

1. Os dispositivos da clínica com crianças

2. A clínica da invenção e criação: o brincar e o significante

3. A função dos pais na clínica com crianças: entrevistas preliminares

4. O lugar da criança na família

5. A neurose infantil e o infantil da neurose

6. Fim e finalidade da análise de uma criança

7. Pagar para brincar: o que se paga na análise de uma criança?

8. A psicanálise com crianças e a questão da transmissão em psicanálise

 

 Cronograma:

04 e 25/março; 01 e 29/abril; 13 e 27/maio; 17 e 24/junho.

Local: Rua Saldanha Marinho, 792 – Piracicaba – SP

Sábados: das 10h às 12h

Vagas limitadas: 30 – Certificado de Participação.

Contato e Inscrições: tykhepsicanalise@gmail.com

Formas de pagamento:

1 – R$ 645,00, em 3 x R$ 215,00

Na inscrição + 2 cheques pré-datados (09/04 e 07/05)  entregues em 04/03.

2 – R$ 500,00 a vista – no ato da inscrição.

Obs.: a vaga será garantida com o envio do comprovante de depósito bancário até 3 dias depois de solicitar a inscrição e receber instruções para pagamento.

 

Referências bibliográficas:

FREUD, Sigmund “ O sentido dos sintomas”, “O desenvolvimento da libido e aas organizações sexuais”, “A terapia analítica” in: Conferencias Introdutórias à Psicanálise – 3ª parte: Teoria Geral das Neuroses. Tradução: Sérgio Tellaroli. Obras Completas, volume 13. São Paulo: Companhia das Letras, 2014.

FREUD, Sigmund “A sexualidade infantil” in: Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade. Tradução: Paulo César de Souza. Obras Completas, volume 6. São Paulo: Companhia das Letras, 2016.

FREUD, Sigmund “O início do tratamento” in: Artigos sobre Técnica. Tradução: Paulo César de Souza. Obras Completas, volume 10. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

AGAMBEN, Giorgio “O que é um dispositivo” in: Outra Travessia – Revista de Literatura nº 5 (A exceção e o excesso). Programa de Pós-graduação em Literatura da Universidade Federal de Santa Catarina, 2005

FOUCAULT, Michel “ Dispositivos disciplinares e poder familiar” Aula de 05/12/1973 in: O poder psiquiátrico. Curso no Collège de France. São Paulo: Martins Fontes, 2006.

 LACAN, Jacques “Os complexos familiares na formação do indivíduo” e “Nota sobre a criança” in: Outros Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003.

JERUSALINSKY, Alfredo & FENDRIK, Silvia (organizadores). “Questões da Infância” in: O Livro negro da psicopatologia contemporânea. São Paulo: Via Lettera (2ª edição), 2011.

HUIZINGA, Johann, Homo Ludens, o jogo como elemento da cultura. São Paulo: Editora Perspectiva S.A, 1996.

RODULFO, Ricardo, O brincar como significante-um estudo psicanalítico da constituição precoce. Porto Alegre: Editora Artes Médicas, 1990.

MANNONI, Maud, A primeira entrevista em psicanálise. Rio de Janeiro: Campus Ltda., 1981 e A criança, sua “doença e os outros. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1987

 

 

 

 

 

 

 

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