Týkhe­ Associação de Psicanálise 

22/01/2019

Please reload

Posts Recentes

Revista Literal nº 11 - Sexualidade e(m) diferença

06/05/2017

A revista Literal foi a publicação anual da Escola de Psicanálise de Campinas. Após a dissolução da Escola a Tykhe fez sua aposta na continuidade dessa transmissão.

As revistas podem ser adquiridas diretamente na secretaria da Tykhe.

Valor: R$20,00.

Editorial

 

A Revista Literal chega ao número 11, o que mostra o empenho da Escola de Psicanálise de Campinas em levar adiante seu projeto de publicação e seu vínculo com a formação do psicanalista. Sobre seu tema – “A sexualidade e(m) diferença” –, cabe dizer primeiro que, através dele, se efetua a sobreposição de duas seções da revista: a dos artigos TEMÁTICOS e a de artigos SOBRE CRIANÇA, já que sob ele se agrupa parte dos trabalhos apresentados na IV Jornada de Psicanálise com Crianças, promovida pelo Espaço Psicanalítico de Americana em maio de 2008. Importa também chamar atenção para o tema dessa Jornada: “A diferença sexual [não] é brincadeira”.


Não é por acaso que ambos os temas se servem de  parênteses para escrever - nos dois sentidos de “escrever” – uma “outra” possibilidade de leitura.  No que diz respeito ao tema da revista, os parênteses instituem relações diferentes entre “sexualidade” e “diferença”. Pode-se ler na primeira, – “Sexualidade e diferença” – entre outras coisas, que a diferença sexual na psicanálise não é a diferença que faz par com a semelhança na constituição da classe dos homens e da classe das mulheres. Trata-se, para a psicanálise, da pura diferença, que repele a complementaridade, diferença regida pelo falo como significante da falta. Na segunda - “Sexualidade em diferença” – pode-se ler, entre outras coisas, a diferença com que a Psicanálise, desde Freud,  assombrou os outros campos de saber no que se refere à diferença sexual. 


O tema da IV Jornada não é menos intrigante: nele o que está entre parênteses é um “não” que, incluído – “A diferença sexual não é brincadeira” – aponta, como se lê no artigo de Marta Togni Ferreira, para “o enorme trabalho psíquico implicado na assunção do próprio sexo e na elaboração de que há diferença sexual”. A função do olhar como objeto a nesse trabalho psíquico é tematizado por Márcio Mariguela no artigo que se segue ao mencionado.


Excluído esse “não” – “A diferença sexual é brincadeira” – está-se diante do brincar como um saber-fazer primeiro (infantil?) com o real do sexual, em sua relação com o simbólico, como se pode ler nos diferentes aspectos do brincar tratados nos artigos de Maria Teresa Guimarães de Lemos, Mariângela Máximo Dias e Conceição Aparecida Costa Azenha.


A eles se seguem os artigos de Érica Renata de Souza e de Adriano Morad Bley. No primeiro, cujo ponto de vista é o da Antropologia Social, o dimorfismo sexual é tratado como uma construção cultural, como produto do habitus. No segundo, cujo ponto de vista é o da medicina, a indagação incide sobre o que a clínica do paciente intersexo desvela da construção da diferença sexual por sobre a diferença anatômica. Importa frisar que a complexidade da relação entre essas diferenças se faz presente em ambos os trabalhos. 


Quanto às demais seções, na de TOPOLOGIA E LÓGICA, Carlos Serafim Martinez, a partir de uma observação de Lacan, se volta para “O esquema R enquanto cross-cap”. Já na seção TRADUÇÃO E SOBRE TRADUÇÃO, volta-se ao tema da sexualidade com a tradução por Paulo Sérgio de Souza Jr. do artigo de Gérard Pommier sobre “O desejo “de” criança”, em que se entrelaçam, segundo o autor, o desejo de procriar e a pedofilia. 


Na seção SOBRE ESCOLA, não deixa de ser significativo dispor-se de dois artigos sobre cartel, um de Mauro Mendes Dias, outro de Márcio Mariguela, assim como do artigo de Nina Virgínia de Araújo Leite sobre as complexas relações entre fala e escrita na clínica e na sua transmissão. 


A última seção, NOTAS DE ESTUDO, está composta do texto de apresentação, por Maria Teresa Guimarães de Lemos, de sua elaboração sobre o filme “O Náufrago”, na atividade Cinema na Escola, assim como do artigo de Vitor Meira Monteiro, apresentado nas Jornadas sobre o Seminário 17, realizadas na Escola de Psicanálise de Campinas em 2007.


Cabe ainda neste espaço da Literal 11 anunciar seu próximo número, cujo tema é “Invenção e criação na Psicanálise”. Contamos com a presença e, portanto, com o interesse de nossos colegas por esse tema tão caro a Freud e a Lacan. 

CONSELHO EDITORIAL

 

SUMÁRIO

 

Temáticos


A diferença sexual (não) é brincadeira    11
Marta Togni Ferreira


De olho na diferença    27
Márcio Mariguela


O brincar e a diferença sexual    37
Maria Teresa Guimarães de Lemos


O brincar e a criação    45
Mariângela de Andrade Máximo Dias


O que (não) dizer sobre as crianças e suas brincadeiras    57
Conceição Aparecida Costa Azenha


Entre corpos, gêneros e possibilidades de ação: 
uma discussão sobre corporificação e performance    69
Érica Renata de Souza


Ambigüidade genital: o que a clínica do paciente intersexo enseja desde a diferença anatômica à diferença sexual?     89
Adriano Morad Bley

 

Topologia e lógica


O Esquema R enquanto Cross-cap    109
Carlos Serafim Martinez


Tradução e Sobre Tradução
 

O desejo «de» criança (...e seu avatar pedófilo)
Gérard Pommier    117
Tradução: Paulo Sérgio de Souza Jr.

 

Sobre escola


A transmissão so-letrada    131
Nina Virginia de Araújo Leite


Os cartéis não sem o grupo    139
Mauro Mendes Dias


O cartel como um dispositivo de formação do psicanalista    143
Márcio Mariguela


Notas de estudo


“O náufrago”: um sonho obsessivo    151
Maria Teresa Guimarães de Lemos


Uma morte anunciada    163
Vitor Meira Monteiro


Normas para publicação    169

 

Please reload

Please reload

Procurar por tags
Please reload