A poética do insconsciente: o infantil (en) cena

  • Rita Bonança
  • PROPOSTA – Jornada de 1 dia.(sábado) – Sugestão – 16.05.2020
  • ABERTURA, 2 mesas com o coordenadores das atividades da Tykhe e ENCERRAMENTO

Quando uma criança adentra ao nosso consultório desorganiza tudo, o consultório, os brinquedos e materiais, os nossos saberes e as nossas ideias. Quase sempre nos é trazida pela mãe e carrega o seu sintoma e a queixa dos pais e ou professores. No decorrer dos atendimentos põe em cena e encena o que de fato está operando e fazendo eclodir o sintoma.

O que está em jogo quando uma criança adoece? Ou apresenta dificuldades de aprendizagem? Desvios de comportamento? Distúrbios de linguagem? O que está velado? O que a criança desvela, revela? A medicação resolve ou silencia? O que é silenciado?

Cabe ao analista, na clínica com crianças, diante das queixas e da problemática familiar, ocupar o lugar de um leitor anônimo das ficções da criança, um terceiro convocado a ler o sintoma que se apresenta. Curioso assim como os espectadores, atento para escutar e capaz de se surpreender. É imperativo um espaço que possibilite uma dialética do desejo, uma surpresa, um lugar onde o jogo possa acontecer sem previsibilidade. Um palco para que a criança possa colocar em cena e encenar sua criação imaginativa, aquilo que Freud (1908) chama de “Spiel” – peça, onde as formas literárias podem ser representadas.

“A análise de crianças incide sobre a forma como foi transmitida a estrutura. Trata-se, portanto, de distinguir como a criança cifra sua relação com a alteridade. Situar a criança na estruturação subjetiva exige a hipótese de que não há insuficiência de linguagem em nenhuma criança, a despeito dos modos como ela se apresenta. Há condições de circulação significante na trajetória lógica de sua estruturação e no aprisionamento a impasses que podem ser gerados nessa trajetória. Abordar a realidade psíquica da criança implicará o recolhimento do tecido significante articulado pelos sentidos, localizando, nele, marcas que balizam sua constituição, para reconhecer as senhas que poderão operar sua leitura.” (Angela Vorcaro)